{"id":46567,"date":"2015-06-25T06:46:53","date_gmt":"2015-06-25T11:46:53","guid":{"rendered":"https:\/\/selasite.azurewebsites.net\/a-queda-dos-precos-das-commodities-consequencias-para-a-america-latina\/"},"modified":"2015-06-25T06:46:53","modified_gmt":"2015-06-25T11:46:53","slug":"a-queda-dos-precos-das-commodities-consequencias-para-a-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rmtsolutions.net\/sela\/a-queda-dos-precos-das-commodities-consequencias-para-a-america-latina\/","title":{"rendered":"A queda dos pre\u00e7os das commodities: Consequ\u00eancias para a Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 25 de junho de 2015.- Os pre\u00e7os das commodities voltaram a capturar a aten\u00e7\u00e3o p\u00fablica desde meados de 2014, sobretodo na Am\u00e9rica Latina, onde as receitas derivadas desses produtos financiam uma parcela significativa dos or\u00e7amentos p\u00fablicos e do custo das importa\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o. Com o pre\u00e7o do petr\u00f3leo caindo 50% em seis meses e o de outras commodities acelerando a queda que j\u00e1 havia come\u00e7ado antes, qual ser\u00e1 o impacto sobre as finan\u00e7as p\u00fablicas e as contas externas das economias exportadoras de commodities da regi\u00e3o?<\/p>\n<p\/>    Em nosso recente relat\u00f3rio sobre as perspectivas econ\u00f4micas das Am\u00e9ricas sustentamos que o impacto da forte queda dos pre\u00e7os das commodities ter\u00e1 consequ\u00eancias importantes, sobretudo para a posi\u00e7\u00e3o fiscal de v\u00e1rias economias da regi\u00e3o.<\/p>\n<p\/>    Onde estamos e para onde vamos?<\/p>\n<p\/>    Para come\u00e7ar, conv\u00e9m colocar em perspectiva o mergulho recente dos pre\u00e7os. Nem todos os pa\u00edses latino-americanos exportam (importam) os mesmos produtos, raz\u00e3o pela qual \u00e9 preciso proceder com mais cuidado e analisar como foram afetadas as rela\u00e7\u00f5es de troca (o pre\u00e7o das exporta\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o das importa\u00e7\u00f5es) das commodities de cada pa\u00eds.<\/p>\n<p\/>    Nesse sentido, nossa an\u00e1lise mostra que os pa\u00edses exportadores de commodities da regi\u00e3o enfrentaram din\u00e2micas diferentes. Embora alguns (como Brasil, Chile e Peru) j\u00e1 houvessem perdido entre \u00bc e &#8531; dos ganhos nas rela\u00e7\u00f5es de troca decorrente do boom at\u00e9 meados de 2014, a mayor\u00eda ainda registrava n\u00edveis quase t\u00e3o altos quanto os de 2011. Todavia, desde ent\u00e3o, ocorreu de tudo e os efeitos foram bem distintos. Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Equador e Venezuela sofreram perdas substanciais nas suas rela\u00e7\u00f5es de troca desde agosto de 2014 em fun\u00e7\u00e3o da queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo e do g\u00e1s natural. A Col\u00f4mbia, inclusive, perdeu quase todos os ganhos registrados de 2003 a 2011. No caso do Chile e do Peru, a queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo atenuou bastante a queda dos pre\u00e7os dos metais exportados por esses pa\u00edses, ao passo que, no M\u00e9xico, as perdas associadas \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo bruto foram compensadas, em grande parte, pela queda dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis refinados que o pa\u00eds importa.<\/p>\n<p\/>    O ajuste recente persistir\u00e1? \u00c9 dif\u00edcil saber ao certo. Contudo, com base no que indicam os pre\u00e7os no mercado de futuros no fim de 2016, as rela\u00e7\u00f5es de troca de v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o ainda seriam substancialmente piores do que durante o per\u00edodo de 2011 a 2014.<\/p>\n<p\/>    A deteriora\u00e7\u00e3o fiscal pode ser substancial e duradoura<\/p>\n<p\/>    O efeito sobre as receitas fiscais depende n\u00e3o apenas do tamanho do setor de commodities, mas tamb\u00e9m de outros fatores dif\u00edceis de quantificar a priori (como o grau de flexibilidade cambial, a estrutura de propriedade do setor e o regime tribut\u00e1rio espec\u00edfico que se aplica \u00e0s receitas dos recursos naturais). Com isso em mente, estimamos uma s\u00e9rie de modelos econom\u00e9tricos para cada pa\u00eds e constatamos que, de fato, os choques nas rela\u00e7\u00f5es de troca das commodities afetam consideravelmente as receitas fiscais na regi\u00e3o.<\/p>\n<p\/>    Os efeitos s\u00e3o significativos no Chile, Peru e M\u00e9xico e particularmente grandes na Bol\u00edvia e no Equador. Nestes dois \u00faltimos, verificamos que um choque-padr\u00e3o acarreta uma queda das receitas fiscais de 0,8 ponto percentual do PIB. Vale destacar que a queda acumulada das rela\u00e7\u00f5es de troca das commodities desde meados de 2014 foi excepcionalmente forte, chegando, em alguns casos, a mais de cinco vezes o tamanho do choque-padr\u00e3o de um per\u00edodo estimado em nossa amostra.<\/p>\n<p\/>    Mas o efeito sobre as balan\u00e7as comerciais pode ser bem mais passageiro.<\/p>\n<p\/>    Nossas estimativas apontam que a deteriora\u00e7\u00e3o da balan\u00e7a comercial frente a um choque-padr\u00e3o nos pre\u00e7os das commodities tem dura\u00e7\u00e3o relativamente curta. Na maioria dos casos, ap\u00f3s tr\u00eas anos, a balan\u00e7a comercial alcan\u00e7a ou supera seu saldo inicial.<\/p>\n<p\/>    Ora, a que se deve esse resultado? Talvez haja \u201cboas\u201d raz\u00f5es: o choque negativo nos pre\u00e7os gera uma deprecia\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio que impulsiona a exporta\u00e7\u00e3o de bens n\u00e3o b\u00e1sicos, o que, ap\u00f3s um per\u00edodo, compensa a queda dos valores das exporta\u00e7\u00f5es de commodities. Mas nossas estimativas apontam que, historicamente, a din\u00e2mica do ajuste externo na Am\u00e9rica Latina tem sido diferente: na maioria dos pa\u00edses, a queda da receita associada ao choque nos pre\u00e7os gera uma forte contra\u00e7\u00e3o dos volumes de importa\u00e7\u00e3o. Embora isso ajude a preservar a sustentabilidade da balan\u00e7a externa, as implica\u00e7\u00f5es s\u00e3o menos \u201cbenignas\u201d, pois refletem um contexto recessivo em que o consumo e o investimento privado recuam (conforme constatado em outro estudo recente).<\/p>\n<p\/>    O que a regi\u00e3o pode fazer?<\/p>\n<p\/>    Nossa an\u00e1lise sugere que alguns pa\u00edses enfrentar\u00e3o quedas pronunciadas e duradouras de suas receitas fiscais, o que exigir\u00e1 certa conten\u00e7\u00e3o na \u00e1rea fiscal. Alguns pa\u00edses, como Chile, Col\u00f4mbia e Peru, enfrentam essa situa\u00e7\u00e3o com espa\u00e7o fiscal suficiente, motivo pelo qual poder\u00e3o suavizar o ajuste necess\u00e1rio (por exemplo, preservando o investimento em infraestrutura). Outros, em contrapartida, n\u00e3o disp\u00f5em de margem de manobra e, por isso, n\u00e3o ter\u00e3o outra sa\u00edda a n\u00e3o ser conter seus d\u00e9ficits de forma r\u00e1pida \u2014 e, infelizmente, proc\u00edclica.<\/p>\n<p\/>    Mas nossa an\u00e1lise tamb\u00e9m enfatiza algumas li\u00e7\u00f5es documentadas em estudos anteriores: as consequ\u00eancias negativas diante de uma queda das rela\u00e7\u00f5es de troca s\u00e3o menores nas economias cujas taxas de c\u00e2mbio s\u00e3o mais flex\u00edveis (como Chile e Col\u00f4mbia). Mas, para poder permitir que o c\u00e2mbio flutue, \u00e9 imperativo contar com quadros de pol\u00edtica confi\u00e1veis e mitigar as debilidades dos balan\u00e7os derivadas do descasamento de moedas. Al\u00e9m disso, nossa an\u00e1lise mostra que o ajuste a choques externos \u00e9 mais benigno nas economias que apresentam um maior grau de diversifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. Isso ressalta a import\u00e2ncia de estimular reformas que produzam um clima de neg\u00f3cios favor\u00e1vel ao investimento e \u00e0 inova\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o.<\/p>\n<p\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A queda dos pre\u00e7os das commodities: Consequ\u00eancias para a Am\u00e9rica Latina<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[],"class_list":["post-46567","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-boletines-regionales"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rmtsolutions.net\/sela\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46567","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rmtsolutions.net\/sela\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rmtsolutions.net\/sela\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rmtsolutions.net\/sela\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rmtsolutions.net\/sela\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46567"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/rmtsolutions.net\/sela\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46567\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rmtsolutions.net\/sela\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46567"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rmtsolutions.net\/sela\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46567"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rmtsolutions.net\/sela\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46567"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}